Os bancos têm cometido erros em suas previsões e esses equívocos têm afetado negativamente a economia, resultando em um PIB mais elevado e uma inflação mais baixa.

A inflação de maio surpreendeu novamente os analistas do mercado financeiro, apresentando um cenário diferente do esperado. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado em 7 de junho, registrou um aumento de 0,23% no mês passado. Os bancos projetavam uma taxa de 0,33%, ou seja, 0,1 ponto percentual mais alta.

Essa previsão incorreta foi incluída no Boletim Focus do Banco Central (BC), divulgado em 5 de junho. Além disso, não foi a única projeção que indicava uma situação econômica mais desfavorável do que a realidade durante o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os bancos também possuíam expectativas de uma inflação mais alta do que a registrada no mês de março. Previam uma taxa de 0,77%, enquanto ela encerrou em 0,71%.

Além disso, eles também erraram na previsão de crescimento da economia no primeiro trimestre do ano. O Produto Interno Bruto (PIB) teve um aumento de 1,9% nos três primeiros meses do ano em comparação com o mesmo período do ano anterior. As estimativas dos bancos apontavam um crescimento de 1,3%, conforme divulgado pela agência Reuters, que coletou as previsões dos analistas de mercado antes dos dados oficiais serem divulgados.

Pedro Faria, economista e pesquisador do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Faculdade de Ciências Econômicas (Cedeplar) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), argumenta que isso não é uma coincidência. Segundo ele, há uma tendência ideológica entre os economistas ligados a bancos de terem aversão a governos de esquerda, o que os leva a prever um menor crescimento e uma maior inflação.

Faria criticou o mercado por depender muito da confiança no governo ao fazer suas previsões e por subestimar as estatísticas. Ele afirmou que esses economistas acreditam que um governo de esquerda tomará decisões erradas que terão impacto na economia, mas as coisas não funcionam exatamente dessa forma.

O especialista em pesquisa acredita que os bancos precisarão ajustar suas previsões nos próximos meses devido ao excesso de pessimismo em relação a Lula. Essas revisões, por sinal, são comuns entre os economistas, uma vez que cada um utiliza sua própria metodologia para calculá-las. No entanto, no caso dos bancos, conforme apontado por Faria, os erros têm um impacto particularmente negativo, pois acabam influenciando diretamente a economia real.

A expectativa:

A expectativa é um fator considerado pelo Banco Central na definição da taxa básica de juros (Selic), sendo influenciada pelas previsões dos bancos. Por exemplo, se os bancos antecipam um aumento na inflação, isso pode ser utilizado como argumento para manter a Selic em níveis elevados.

Atualmente, a taxa básica de juros está em 13,75% ao ano, sendo uma das mais elevadas em todo o mundo. Há meses, o governo tem solicitado a redução dessa taxa. No entanto, o Banco Central (BC) argumenta a favor de sua manutenção, com base nas expectativas dos analistas – que frequentemente se mostram incorretas.

“Fica evidente que o BC consulta em sua maioria os agentes do mercado financeiro, os quais têm consistentemente falhado ao fazer uma leitura negativa da economia brasileira. Essas expectativas são usadas como principal justificativa pelo BC para manter a taxa de juros”, explicou Faria.

Sem justificativas

De acordo com Faria, acredita-se que o Banco Central está enfrentando dificuldades em justificar a manutenção da taxa Selic. Isso ocorre porque, assim como a inflação está em declínio, o governo está arrecadando mais do que gastando, o que indica um equilíbrio nas contas públicas.

André Roncaglia, economista e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), compartilha dessa visão e não encontra razões para que a taxa Selic permaneça em níveis elevados. Ele apenas espera que os indicadores econômicos influenciem o Banco Central a reduzir a taxa o mais rápido possível.

Segundo Roncaglia, uma parte significativa da inflação estava relacionada a fatores importados, conhecidos como pressão de choque de custo. Era esperado que, à medida que esses fatores diminuíssem, a inflação também diminuísse. Ele enfatizou a importância de o Banco Central (BC) observar essa tendência e indicar uma política monetária mais flexível.

Mauricio Weiss, economista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), complementou que essa flexibilização, ou seja, a redução das taxas de juros, é necessária para que a economia retome seu caminho de crescimento.

“Segundo ele, manter as taxas de juros em níveis elevados por um período prolongado pode resultar em consequências indesejáveis. Ele observou que a inadimplência está em constante aumento, e embora a economia tenha crescido, isso se deve principalmente ao desempenho do setor agrícola. Portanto, é necessário reabilitar os setores de serviços e comércio. Ele argumentou que existe margem para a redução das taxas de juros.”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *